Siga a HBR Brasil

Harvard Business School Club of Brazil

Blog Ler outros posts >>

Conectados!

Escrito por:
  • Mauricio Goldstein
sexta-feira, 23 dezembro, 2011 - 08:47

Neste blog, quero explorar o fato de que todos os seres humanos somos conectados e que as redes sociais têm mais influência sobre os seus membros do que muitas vezes imaginamos. Hoje com o crescimento das mídias sociais, as conexões e as influências ficam mais óbvias, mas de fato elas sempre existiram... Nicholas A. Christakis e James H. Fowler, professores de Harvard e da Universidade da California em San Diego, publicaram em 2009 o livro Connected, o Poder das Conexões, onde refletem sobre o poder das redes sociais e como elas dão forma a nossas vidas.

Segundo os autores, uma rede social é formada por todas as conexões e ligações num conjunto de indivíduos, este conjunto definido por um atributo comum. Por exemplo: os alunos conectados de uma universidade específica, ou as pessoas que pegaram e passaram gripe para seus conhecidos. E podemos estudar cientificamente estas redes sociais. Quero apresentar aqui os resultados de três estudos e refletir com vocês sobre suas conclusões:

1.     

O primeiro é um experimento de Stanley Milgram, conduzido nos anos 60, que mostrou que as pessoas estão conectadas por, em média, seis graus de separação. Vários cidadãos que viviam em Nebraska foram instruídos a enviar uma carta para um empresário de Boston, através de alguma pessoa que eles conheciam pessoalmente. O objetivo era medir o número de etapas necessárias para que a carta chegasse ao homem de negócios. Em média, foram necessárias seis etapas. O estudo foi replicado pelo sociologista Duncan Watts e dois colegas em 2002, usando o e-mail em escala global, e apresentou os mesmos resultados – os mesmos seis graus de separação! Ou seja, estamos comprovadamente todos conectados...

2.     

Um segundo experimento de Stanley Milgram conduzido em 1968 investigou a importância do reforço de múltiplas pessoas sobre o comportamento: ele observou 1.242 pedestres que caminhavam por uma calçada e sua reação quando encontravam atores olhando fixamente para cima, na direção de uma janela do outro lado da rua;  os pedestres foram filmados para registrar se paravam e se olhavam para cima também. Quando havia apenas 1 ator parado, 4% dos pedestres pararam e 42% olharam para cima; quando havia 15 atores, 40% pararam e 86% olharam para cima. Outro achado interessante foi que, com apenas cinco atores, os resultados foram praticamente os mesmos do que com 15! Ou seja, nosso comportamento é afetado pelo comportamento social...

3.      Por fim, os próprios Christakis e Fowler descobriram que a influência numa rede social segue a regra dos 3 graus: isto significa que “tudo o que fazemos ou dizemos se espalha por nossa rede, tendo um impacto em nossos amigos (1 grau), nos amigos de nossos amigos (2 graus) e até nos amigos dos amigos de nossos amigos (3 graus)”. Além dos 3 graus, a influência deixa de ter um efeito significativo. Da mesma forma, somos influenciados pelos amigos nestes mesmos 3 graus.

Outro exemplo da mesma regra: uma análise matemática de redes sugere que uma pessoa tem 15% mais chance de ser feliz se ela estiver diretamente conectada a uma pessoa feliz. O efeito felicidade a 2 graus de separação (um amigo de um amigo) é de 10% e a 3 graus, 6%.

 

Assim, os estudos de Christakis e Fowler indicaram que uma grande variedade de elementos flui através de redes sociais: desde vírus da gripe até comportamentos e normas, desde emoções como felicidade ou tristeza até estilo de vida resultando em magreza ou obesidade (ou seja, se na sua rede, houver muitas pessoas obesas, isto aumenta a sua probabilidade de ser obeso!). E mais, as redes têm uma vida própria, como mostram os movimentos culturais e sociais que temos observado no mundo: podemos ver comportamentos compartilhados sem uma coordenação específica.

Algumas reflexões: Somos todos conectados e temos grande capacidade de influenciar e sermos influenciados pelas pessoas que fazem parte da nossa rede social. Por um lado, temos uma maior responsabilidade, pois com nossos comportamentos e atitudes estamos influenciando (mesmo que não intencionalmente) as pessoas com quem convivemos e várias pessoas com quem não convivemos (até 3 graus de distância). Se agirmos com inconsciência, com violência, com más intenções, é isto que estamos espalhando pelo mundo. Se agirmos com consciência, com generosidade, com cuidado, estamos ajudando a gerar um mundo cada vez melhor. Por outro lado, as pessoas da nossa rede nos influenciam mais do que temos consciência e afetam nossa capacidade de livre arbítrio – o que nos traz outra responsabilidade, a de fazer cada vez melhores escolhas com relação a que grupos queremos frequentar. Para líderes organizacionais, a compreensão destes conceitos serve como base para um entendimento de como é criada a cultura da organização e quais podem ser alavancas para sua mudança, se necessário.

 

Influenciamos e somos influenciados - ao mesmo tempo - numa grande dança evolutiva do viver. A máxima “Um por todos e todos por um” é mais real do que podíamos imaginar!!

 

Mauricio Goldstein é sócio-fundador da Pulsus Consulting Group, mestre em Engenharia de Produção, com especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Columbia University

 

Comentários

Mostrando 6 comentários

Anônimo Qua, 01/25/2012 - 17:33

Acho que a idéia de "influência" não está muito relacionado com estar "conectado". No caso das Cartas não há influencia entre as pessoas, apenas uma "ponte".

Nas redes sociais também. Até chegar ao terceiro grau, o segundo pode muito bem servir apenas de "conexão" do primeiro ao terceiro.

Já no caso dos pedestres sim pois é julgado como algo importante saber o que está sobre as nossas cabeças.

Anônimo dom, 01/08/2012 - 03:15

Articles like this are an eaxmple of quick, helpful answers.

Anônimo sab, 01/07/2012 - 19:37

I'm so glad that the itnernet allows free info like this!

Anônimo sab, 01/07/2012 - 15:18

You've really impressed me with that anwesr!

Anônimo sab, 01/07/2012 - 10:02

Deep thinking - adds a new dmiesnion to it all.

Anônimo dom, 01/01/2012 - 19:09

Sou contrário a essa afirmação de que as pessoas são influenciadas em redes sociais por pessoas do mesmo nível. O que enxergo é que cada vez mais as pessoas buscam ser vistas, mas não querem ver. Elas postam conteúdo, dizem o que pensam mas o que importa é a opinião delas. Não há um diálogo, um aprofundamento no assunto que está sendo discutido e proposto. Pessoas estão se portando como PopStars, que gostam de informar o que estão fazendo mas não querem dar atenção ao que os outros estão fazendo. A mão dupla da comunicação na web esta cada vez mais sendo extirpada pelo ego das pessoas, pela vontade e pela necessidade de se sentirem importantes, vistas e notadas.

Comentar