O maior problema da saúde não é o sistema de seguro nem o lado político. É, antes, que estamos medindo a coisa errada do jeito errado.
Nos Estados Unidos, o gasto com saúde hoje ultrapassa 17% do PIB. E não para de subir.
Outros países gastam menos do PIB com saúde, mas também ali a tendência é de alta. Não é difícil achar explicações. O envelhecimento da população e o surgimento de novos tratamentos respondem por parte do aumento. Incentivos perversos também contribuem: terceiros pagadores (companhias de seguros e governos) pagam por procedimentos realizados e não por resultados obtidos; já o doente assume pouca responsabilidade pelo custo dos serviços de saúde que requer.
Poucos, no entanto, reconhecem uma fonte mais fundamental da escalada dos custos: o sistema pelo qual esses custos são medidos. Para ir direto ao ponto, há quase total ignorância sobre o custo da prestação da assistência ao doente — que dirá da relação entre esses custos e os resultados obtidos. Em vez de fechar o foco no custo de tratar um paciente com uma determinada patologia ao longo do ciclo inteiro de assistência, prestadores agregam e analisam custos no âmbito de especialidades ou de departamentos de serviços.
