| Bote os colegas na linha |
| Mary C. Gentile |
Como confrontar a conduta antiética no trabalho — e prevalecer
Jonathan está de emprego novo. Recém-transferido do departamento de contabilidade da matriz, agora é controller de uma unidade regional de vendas da fabricante de eletroeletrônicos. Animado com a promoção, quer forjar uma boa relação com a nova equipe. Na hora de fechar o balanço trimestral, no entanto, o rapaz percebe que o faturamento do trimestre seguinte está sendo registrado antes para reforçar a bonificação da turma. O silêncio do gerente da equipe sugere que aquele tipo de coisa provavelmente já ocorreu antes. Tendo lidado com a distorção quando trabalhava na matriz, Jonathan tem plena consciência de seu potencial de causar grande estrago. É a primeira vez, no entanto, que trabalha com aqueles que estão criando o problema, e não com quem tenta corrigi-lo.
Pode parecer uma questão contábil banal. Mas as consequências — em termos de custos de carregamento, projeções distorcidas, cultura ética comprometida e até ramificações legais — são muito sérias. E, salvo em empresas extraordinariamente bem administradas, esse tipo de situação pode surgir facilmente. Todo gerente deve saber como reagir de forma construtiva (aliás, aprender a fazê-lo é parte fundamental de seu desenvolvimento profissional) e todo alto executivo deve ser capaz de mudar as normas culturais que deram origem à decisão equivocada em primeiro lugar.
Nos últimos quatro anos, estudei momentos nos quais o indivíduo decide se confronta ou não uma questão ética, e o que diz quando decide confrontá-la. Reuni histórias de gestores em todos os níveis, com especial destaque para os primeiros anos na carreira e para indivíduos com casos positivos a relatar. Essas histórias — juntamente com estudos de psicologia social sobre a tomada de decisões — lançam luz sobre aquilo que permite à pessoa ser sincera ao deparar com conflitos éticos no trabalho. Os insights que aqui descrevo podem ajudar jovens administradores a levantar a voz quando a ocasião pede e ajudar altos executivos a erguer uma cultura organizacional forte e honesta.
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