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A era do capitalismo do cliente
Roger Martin

Nas últimas três décadas, a grande prioridade de executivos foi maximizar o valor ao acionista. Mas há indícios de que o investidor ganha mais quando o cliente vem em primeiro lugar.

O capitalismo moderno pode ser dividido em duas grandes eras. A primeira, a do capitalismo gerencial, começou em 1932 e foi definida pela tese então radical de que toda empresa deveria ter uma gestão profissional. A segunda, a do capitalismo do valor ao acionista, teve início em 1976 e é regida pela premissa de que a finalidade de toda empresa deve ser maximizar a riqueza dos acionistas. Se a iniciativa privada tiver tal meta, reza a tese, tanto acionistas como a sociedade se beneficiarão. É uma premissa tragicamente falha. É hora de abandoná-la e de inaugurar uma terceira era: a do capitalismo voltado ao cliente.
 
As duas primeiras eras foram, ambas, anunciadas por um influente trabalho acadêmico. Em 1932, Adolf A. Berle e Gardiner C. Means publicavam A Moderna Sociedade Anônima e a Propriedade Privada, o clássico tratado no qual sustentam que a gestão deveria ser desvinculada da propriedade. A partir dali, o mundo empresarial americano deixaria de ser dominado por presidentes-proprietários como os Rockefeller, os Mellon, os Carnegie, os Morgan. Empresas seriam tocadas por terceiros — por uma nova classe de dirigentes profissionais. Segundo Berle e Means, não havia por que temer esse movimento, que era parte de uma admirável nova era de expansão econômica (que, a bem da verdade, levaria alguns anos para começar devido à Grande Depressão).
 
É claro que o presidente-proprietário não desapareceu de vez. Mas a sala do presidente passou a ser dominada por executivos profissionais. Empreendedores tinham todo incentivo a criar um negócio novo, mas o sensato seria entregar a gestão a profissionais — gente mais confiável, menos volátil — assim que a empresa atingisse porte considerável.


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